Perfil - Aldo Rebelo

autor André Pereira Cesar

Postado em 15/04/2018 10:41:37 - 10:28:00


Aldo Rebelo tem uma característica de conciliador como atesta sua história/Arquivo/Divulgação

O ex-ministro ganhou destaque nacional ao assumir a presidência da Câmara dos Deputados em 2005

Semana após semana, novos pré-candidatos se apresentam para a disputa presidencial. O quadro de incerteza política alimenta esse fenômeno. O mais novo postulante é Aldo Rebelo, do Solidariedade (SD).

Nascido em fevereiro de 1956 em Viçosa (AL), José Aldo Rebelo Figueiredo é jornalista. Político experiente, foi vereador em São Paulo e, a seguir, deputado federal por seis mandatos, sempre pelo PCdoB. Polivalente, foi ministro das Relações Institucionais no governo Lula. Na gestão Dilma, ocupou os ministérios dos Esportes, de Ciência e Tecnologia e, por fim, da Defesa. Também militou na Ação Popular, organização que combatia o regime militar e, no início dos anos oitenta, presidiu a UNE.

Uma curiosidade pessoal. Seu pai foi vaqueiro, em Alagoas, em uma fazenda de propriedade do senador Teotônio Vilela, uma das mais importantes lideranças políticas nordestinas da segunda metade do século XX.

Rebelo ganhou destaque nacional ao assumir a presidência da Câmara dos Deputados em 2005, após o afastamento do então titular Severino Cavalcanti (caso similar ao de Rodrigo Maia, eleito para substituir o afastado Eduardo Cunha). Na condição de presidente da Casa, Rebelo manteve uma postura discreta, tentando reduzir o elevado grau de tensão reinante entre os parlamentares, em função do escândalo do Mensalão.

O pré-candidato tem seu nome umbilicalmente ligado ao PCdoB, no qual militou por muitos anos. Ele deixou a legenda em meados de 2017 e ingressou no PSB. Deixou as fileiras socialistas em março de 2018, criticando duramente a filiação de Joaquim Barbosa ao partido. O Solidariedade é sua nova legenda.

Nacionalista ao extremo, apresentou projetos de lei que foram objeto de fortes críticas - entre eles, o que limita estrangeirismos na língua portuguesa, o que instituía o "Dia Nacional do Saci-pererê" e o que tornava obrigatória a adição de 10% de farinha de mandioca na farinha de trigo para a produção de pão francês. Essa última proposição gerou fortes atritos com a indústria de trigo e dos panificadores, que desde então se tornaram inimigos figadais do parlamentar.

Dado o perfil nacionalista de Rebelo, surge um questionamento: como ele se relacionará com os integrantes do Solidariedade, partido de centro com certo viés liberalizante e que apoiou boa parte da agenda do governo Temer? Esse é um ponto importante e que revela uma potencial fragilidade da pré-candidatura. Um prato cheio para os adversários.

Apesar de ser um conciliador por natureza e eclético, como atesta seu histórico político, Rebelo é acusado de ser titubeante em muitos momentos. "Falta pulso a ele", costuma-se ouvir nos corredores do Congresso Nacional.

Um eventual governo Rebelo seria marcado por uma postura estatizante, exatamente o contrário do proposto pela atual administração Temer. Novamente fica no ar a incógnita quanto ao comportamento de seu partido.


Índio da Costa diz que é candidato ao governo do RJ "de qualquer jeito"
Presidente do PT vai à TV Al Jazira e cutuca Israel em defesa de Lula
veja +
Represente do CIMI fala sobre a pauta indígena no Congresso Nacional
Entidades defendem "10 medidas de combate à corrupção"
Conta de luz vai aumentar com venda da Eletrobras, dizem especialistas convidados pela oposição
veja +