Ministério Público do DF vai investigar Facebook

autor Misto Brasília

Postado em 21/03/2018 20:03:18 - 19:54:00


Ministério Público do DF quer saber se vazamento prejudicou usuário brasileiro/Arquivo/B9

Órgão quer saber se o vazamento de dados de usuários por consultoria também prejudicou brasileiros

O erro do Facebook que permitiu que dados de 50 milhões de usuários acabassem nas mãos da empresa Cambridge Analytica, também será investigado no Distrito Federal. Hoje, o dono da empresa de mídia social, Mark Zuckerberg, admitiu a culpa do Facebook e prometeu medidas mais duras para restringir acesso dos desenvolvedores de aplicativos aos dados.

O Ministério Público do DF informou que instaurou ontem inquérito civil público para apurar se a empresa age de forma semelhante no Brasil. O documento é assinado pela Comissão de Proteção dos Dados Pessoais e pela 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor. O Facebook perdeu mais de US$ 45 bilhões em valor de mercado nos últimos três dias, depois das notícias que detalham as acusações publicadas no fim de semana.

A maior rede de mídia social do mundo está enfrentando crescente pressão de governos na Europa e nos Estados Unidos sobre as alegações de um informante que afirmou que a empresa britânica de consultoria política acessou indevidamente informações dos usuários do Facebook. O objetivo foi traçar perfis sobre os eleitores norte-americanos, que mais tarde foram usados ​​para ajudar a eleger o presidente dos EUA, Donald Trump, em 2016.

No Brasil, de acordo com o Ministério Público, a Cambridge Analytica opera desde 2017 em parceria com a empresa de consultoria Ponte Estratégia Planejamento e Pesquisa Ltda. Esta empresa passou a se chamar CA-Ponte, que tem à frente o consultor André Torreta.

[Veja uma entrevista de Torreta publicada no Misto Brasília]

Ao final do inquérito, se comprovado incidente de segurança, o MPDFT pode sugerir pronta comunicação aos titulares, ampla divulgação do fato em meios de comunicação e medidas para reverter ou mitigar os efeitos do incidente.

Em entrevista à BBC Brasil, André Torretta afirmou que, embora prometesse uma metodologia eficaz na segmentação de eleitores em categorias "psicológicas" (patriota, progressista, emocional, por exemplo), a Cambridge não tinha um banco de dados com perfis de brasileiros - tal como a que ajudou a eleger Trump. A ideia, segundo o empresário, era que ele próprio corresse atrás de coletar dados de eleitores.

"Mas eu não iria pedir isso no Facebook. Imagina eu indo lá e pedir. O pessoal do Facebook ia rir da minha cara. Ia usar o que já tem disponível na rede social e fazer pesquisas em bairros, entrevistas, usar dados do IBGE", afirma.

O conselho de administração da Cambridge Analytica suspendeu seu presidente-executivo, Alexander Nix, que foi pego em uma gravação secreta em que se gabava de que a empresa desempenhou um papel decisivo na vitória de Donald Trump.


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