A contra-informação da reforma da Previdência

autor Misto Brasília

Postado em 31/01/2018 16:13:18 - 15:49:00


Entidades sindicais durante manifestação no ano passado contra a reforma da Previdência/Arquivo

A reação dos sindicatos à investida do governo no esforço midiático para convencer a população

Os sindicatos dos servidores públicos federais que integram o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado, decidiram contra-atacar a investida final do governo para aprovar a Proposta de Emenda Constitucional 287/2016 (reforma da Previdência Social). O Fonacate é integrado por 29 entidades sindicais de servidores públicos de carreira.

No vídeo [Assista os depoimentos na Seção Vídeo ao lado], que começou a circular nas redes sociais nesta quarta-feira (31), as lideranças afirmam que o texto proposto pelo governo é prejudicial aos trabalhadores. Garantem que as declarações do presidente Michel Temer, dos ministros e dos representantes da base governista são mentirosas.

“A Previdência não está quebrada”, garante o presidente da Associação Nacional dos Auditores Ficais da Receita Federal do Brasil (Anfip), Floriano Martins de Sá Neto, a entidade que sustentou boa parte do relatório da CPI da Previdência Social do Senado Federal. O texto final aprovado por unanimidade afirma que “não há déficit no setor previdenciário”.

A investida midiática das entidades sindicais segue o caminho adotado pelo governo. O presidente Michel Temer tem participado nos últimos dias de vários programas de televisão e rádio para divulgar a proposta do governo que muda as regras de acesso à aposentadoria. Sem penetração nos grandes veículos de comunicação, os sindicalistas usam as redes sociais como principal ferramenta de divulgação.

A contrainformação aparentemente não tem o apoio da maioria da maioria das 13 centrais sindicais, hoje mais preocupadas em recuperar a contribuição sindical. O silêncio dessas entidades pode ser explicado por uma tentativa de negociação com o Palácio do Planalto em editar uma Medida Provisória que restabeleça a cobrança obrigatória do imposto nos salários dos trabalhadores.

O que dizem os sindicatos

Floriano Sá Neto (Anfip) – “O governo está abusando da nossa boa-fé. Além de usar a publicidade oficial, de gastar mais de R$ 100 milhões, agora está indo a programas de auditório para divulgar uma inverdade. É mentira. A Previdência Social não está quebrada. E você, aposentado do Regime Geral, você aposentado do serviço público federal: Não há nenhum risco de você parar de receber sua aposentadoria em dia”.

Achilles (Fonacate) – “O Palácio do Planalto acabou de renunciar a centenas de bilhões de reais ao aprovar o parcelamento (das dívidas) para os grandes devedores. E deixa de cobrar esses mesmos grandes devedores que têm quase dois terços do estoque de meio trilhão de reais em suas mãos. O governo não quer cobrar os seus financiadores políticos”.

Paulo Martins (Fonacate) - “O governo não satisfeito de tentar emplacar uma reforma da Previdência com base em dados inconsistentes, conforme já identificado com base em trabalho do TCU (Tribunal de Contas da União), agora vem à TV aberta promover um escárnio com a população brasileira. Promovendo mentiras, colocando a população brasileira contra os servidores públicos. Nós não iremos admitir isso. Vamos todos defender a Previdência de todos”.

Alexandre Cunha (Anfipea Sindical) - “Não vamos nos iludir, muito embora o governo federal continue tentando manipular a opinião pública, tentando convencer as pessoas que que esta reforma da Previdência se destina apenas a corrigir os supostos privilégios dos servidores públicos. Os maiores prejudicados, tal como está apresentado o texto hoje, ainda são os trabalhadores do Regime Geral e os trabalhadores rurais”.

Alex Canute (Anesp) – “O governo Temer ainda não chamou as carreiras de Estado para conversar sobre a reforma da Previdência, por isso as negociações não caminharam. O texto que está no Congresso não combate os privilégios. Ao contrário, ele mantém todo o privilégio da velha política brasileira. Quem ganha acima o teto vai continuar ganhando. As nomeações de políticos e de apadrinhados políticos vão continuar acontecendo e todo o descalabro orçamentário se mantém. Para encobrir esse problema, é que ele ataca as pessoas que estudaram e passaram em concurso público, acusando-os injustamente de serem os responsáveis por um déficit que é causado claramente pelos descalabros da velha política brasileira. As carreiras de Estado não vão permitir isso.”

Rudinei Marques (Unacon Sindical) - “O governo Temer chegou ao fundo do poço da degradação moral e ainda quer acabar com seu direito à aposentadoria. Por isso nós conclamamos a todos os servidores públicos e a todos os trabalhadores da iniciativa privada a intensificarem os esforços para nós sepultarmos de vez esse projeto que é tão nefasto para todos os trabalhadores brasileiros.” 


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