Homo economicus

autor Vitória Colvara

Postado em 11/10/2017 17:51:26 - 17:46:00


Há um modelo comportamental das decisões racionais no consumo/Ilustração/InstitutoMercadoPopular

Parece teoria da conspiração, mas é somente a economia se valendo de tudo o que estiver ao alcance

Somos animais racionais! O que supostamente nos difere de milhares de outras espécies com as quais compartilhamos o mesmo planeta. É é justamente a nossa capacidade de pensar, raciocinar e, a partir disso, tomar decisões que julgamos serem fruto da nossa razão. Mas e se de repente, pesquisadores espalhados por diversos países, resolvessem criar uma teoria científica nos dizendo que as coisas não são bem assim?

E se centenas de pessoas passassem a dedicar suas vidas estudando o comportamento humano não mais sob um viés cartesiano e separatista, mas sim sob uma perspectiva abrangente que nos enxerga enquanto seres sensitivos cujas ações são condicionadas a padrões e influências culturais, geográficas, familiares, econômicos e mercadológicas?

Seria uma completa loucura se eu tentasse através desse breve artigo te convencer de que a nossa racionalidade é limitada e de que somos todos previsivelmente irracionais? Talvez.

Mas ainda bem que para respaldar esse raciocínio um tanto quanto incoerente para algumas pessoas, eu posso me valer de uma notícia quentinha e super atual: “Richard Thaler ganha Nobel de Economia em 2017 por suas contribuições para a economia comportamental e afirma que irá gastar o prêmio tão irracionalmente quanto possível.”

E ele não é o pioneiro no assunto, o Nobel de 1978 foi para Herbert A. Simon que, valendo-se inclusive de fórmulas físicas e matemáticas, desenvolveu um modelo comportamental das decisões racionais.

O desenvolvimento dessa teoria, trouxe premiação Nobel também para David Schkade, Ilana Ritov, Cass R. Sunstein e Daniel Kahneman que escreveram sobre a previsibilidade dos julgamentos incoerentes.

E a lista é longa e merece uma análise mais aprofundada do leitor que não se contenta com informações curtas, rápidas e instantâneas. O próprio Kahneman escreve sobre isso em sua polêmica obra: Rápido e Devagar: duas maneiras de pensar.

Pois bem, os idealizadores dessa junção entre economia e psicologia, são encontrados na internet, nos TED talks e por aí vai. Mas e suas consequências?

E aqui vai a notícia triste. Essa pesquisa cientifica assim como tantas outras, já vem sendo largamente utilizada pela lógica do mercado que, valendo-se de informações preciosas, já consegue te convencer a ter sonhos de consumo que só tendem a crescer junto com as dívidas e as prestações. Ou você não acha uma enorme coincidência acessar a internet e sempre receber anúncios que sejam do seu interesse? Ou que estejam vinculados a algo que você já pesquisou antes?

Parece teoria da conspiração, mas é somente a economia se valendo de tudo o que estiver ao alcance, para continuar ditando os comportamentos, sonhos e anseios da nossa sociedade. Fiquemos espertos, e aceitemos tal como o Raul que somos humanos, ridículos, limitados e que só usamos dez por cento da nossa cabeça animal.


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