Alemães reforçam anticorrupção no Brasil

autor Misto Brasília

Postado em 02/07/2017 21:30:41 - 21:22:00


Manifestação popular contra a corrupção ao lado do Congresso/Arquivo/Antônio Cruz/Agência Brasil

A América Latina sempre teve uma reputação de ser uma região suscetível à corrupção

Motivadas pela Operação Lava Jato, as multinacionais alemãs que têm negócios no Brasil e em outros países da América Latina adotaram ou reforçaram em suas filiais mecanismos de compliance – que monitoram se seus funcionários atuam em conformidade com a ética e as leis locais.

Antes da Lava Jato, todas as grandes empresas alemãs já contavam com políticas de compliance em suas matrizes. Isso ganhou força após escândalos como o da Siemens, em 2006, sobre o pagamento milionário de propinas em troca de contratos com o governo de vários países.

Na esteira da Lava Jato e da Lei Anticorrupção (nº 12.846/2013), que prevê a responsabilização no âmbito civil e administrativo de empresas que praticam atos lesivos contra a administração pública brasileira ou estrangeira, a sensibilidade corporativa aumentou também nas filiais.

"Para as empresas alemãs, infelizmente, a América Latina sempre teve uma reputação de ser uma região suscetível à corrupção. E a Lava Jato é apenas uma confirmação disso", afirma Alf Baars, advogado especialista em compliance do escritório de advocacia alemão Oppenhoff&Partner.

"O escândalo fez com que a demanda de empresas alemãs por profissionais de compliance aumentasse na região", completa Baars, um dos participantes de um evento organizado pela Associação Empresarial para a América Latina (Lateinamerika Verein e.V.), em Frankfurt, sobre compliance no Brasil.

Assim, grandes companhias, que já tinham políticas específicas, realizam uma revisão de suas medidas de compliance em filiais latinas. Após a Lava Jato, a DHL (divisão internacional da Deutsche Post, equivalente aos Correios brasileiros) piorou o status do Brasil em seu quadro de suscetibilidade à corrupção.

"A DHL está revisando seu sistema de compliance e já avançamos em quais pontos precisamos aperfeiçoar", afirma Joachim Hermansky, vice-presidente do Departamento de Assistência a Clientes da DHL Alemanha. "Após a Lava Jato, o Brasil teve sua classificação de risco aumentada para 'país de risco', e nosso escritório de compliance, localizado no Equador, está mais ativo no Brasil do que antes."

Em um estudo realizado pelo escritório de advocacia americano Miller&Chevalier com seus clientes na América Latina em 2016, apenas um terço (33%) disse que as leis anticorrupção dos países onde estão presentes são eficazes. Os países que tiveram os melhores índices foram Uruguai (53%) e Chile (42%), seguidos de Peru (31%) e Panamá (30%). O Brasil teve 26%. Em termos de comparação, nos EUA o índice é de 54%. (Da DW)

Infográfico sobre a atuação internacional da Lava Jato


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